terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Tora aposta na flexibilidade





Grupo mineiro amplia nichos de atuação e busca novas oportunidades para ser reconhecido

como um dos melhores operadores do Brasil

Por: Wagner Oliveira

No atual contexto de baixa demanda por transporte, diversificação é a estratégia do Grupo

Tora, controlada pela holding Estrela, que tem sob o seu chapéu a Tora Transportes, a Usifast e a Tora Semi-Novos (MG Veículos). “A flexibilidade e o melhor 

aproveitamento de nossas sinergias são fundamentais num instante econômico desfavorável

em que é preciso manter a cautela e a atividade em andamento, evitando aumento de custos

e endividamento desnecessários”, disse, em entrevista , o

presidente do conselho do Grupo, o empresário Paulo Sérgio Ribeiro da Silva, 68 anos. “É uma

postura um tanto conservadora, mas segura para preservamos o bom ambiente dos negócios.”

Foi sempre com uma postura financeira rígida que o Grupo Tora soube aproveitar todas as

oportunidades desde a sua fundação nos anos 1970 em Minas Gerais, estado onde a atividade

na produção de itens semi-elaborados cria oportunidades de serviços de transporte em várias

cadeias produtivas. Com isso, nas últimas décadas, a Tora vem se consolidando como um dos

mais respeitados operadores da logística e do transporte do Brasil.




Basta ver o número e o peso dos clientes da Tora. Estão na extensa lista nomes como a

ArcelorMittal, Belgo Mineira, Brasken  e CSN. A relação é ainda mais fortalecida por 

embarcadores como a Coca-Cola, CNH, Fiat, Gerdau Aços Longos, Gerdau Açominas, Iveco, 

Magnestia, Petrobras, Usiminas e Vale, entre outras empresas que estão no topo da formação

do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro.

Tem sido essencial na trajetória da Tora sua visão estratégica, principalmente, ao unir o

transporte rodoviário ao ferroviário, onde a empresa a integrar as operações visando

proporcionar competitividade e menor custo para seus clientes. “Nossos serviços ajudam a

racionalizar a atividade dos parceiros, como a redução de estoques, por exemplo. Com

conceitos de inovação e produtividade, buscamos contribuir para um avanço sistemático do

transporte e da logística no Brasil”, reforçou o presidente do conselho da Tora.

Após um início da atividade voltada para indústria siderúrgica nos anos de 1970, duas décadas

depois, o grupo se fortaleceu com a criação da Tora Logística, cujo objetivo é o de atender

operações de armazenagem, gestão de estoques, transporte rodoferroviário, retroportuário e

desenvolvimento de novos projetos.



A Tora incorporou o Torex: terminal retroportuário destinado ao atendimento as demandas de

comércio exterior. Em associação com a Fasal, empresa do Grupo Usiminas, entrou em

operação a coligada Usifast, atuando há 20 anos no transporte rodoviário e o Porto Seco

Industrial Grambel, localizado em Betim (região metropolitana de Belo Horizonte).

De acordo com o empresário Paulo Sérgio Ribeiro da Silva, a Tora soube ler a realidade do

mercado ao aproveitar nichos para se fortalecer, desde a siderurgia à indústria

automobilística, onde ajudou Minas Gerais na formação de um pólo de fornecedores que já é

um dos mais significativos do Brasil na produção de autoveículos. Além da Fiat, é grande

parceira da Iveco, que vem consolidando a produção de caminhões em Sete Lagoas (70

quilômetros de Belo Horizonte).

Se nos anos 1990 a Tora buscou a integração de modais, na década anterior a empresa viu a

oportunidade de crescer com a atividade no continente sul-americano e nova fronteira

agrícola que despontava no Centro Oeste brasileiro.  Foi nos anos 1980 que a Tora iniciou suas

operações no Mercosul, a partir do Chile. Logo em seguida, a empresa expandiu suas

operações na Argentina e no Uruguai. Também nesta década, a Tora iniciou operações de

transporte rodoviário de grãos contribuindo para a ampliação das fronteiras agrícolas no

território nacional.

Desde os anos 2000, quando o Brasil dá um salto na economia, a Tora consolida sua

participação no mercado de transporte e logística com elevados investimentos em

equipamentos e terminais, o que faz da empresa um dos poucos operadores do país a oferecer

a solução de integração rodoferroviária. 

Com a solução de transporte em diversos modais, o grupo Tora expandiu seus negócios e

iniciou operações dedicadas no segmento de mineração, intensificando a aplicação de

tecnologia de localização e transmissão de dados por meio de sistemas de satélite.

Transparência

A Tora é uma empresa que tem se empenhado na busca de uma relação de transparência com

o mercado, a sociedade e, principalmente, seus clientes. Entre as suas metas, está a tarefa de

“ser reconhecida como o melhor operador logístico, tornando-se referência no transporte de

cargas industriais e integrações rodoferroviárias no Brasil e Mercosul."

Entre os seus valores, cultua a ética e transparência nos relacionamentos clientes,

fornecedores e colaboradores por meio da excelência na prestação de serviços logísticos. O

desenvolvimento sustentável também está na sua pauta, além da valorização,

desenvolvimento das pessoas e da responsabilidade social.

De acordo com o presidente do conselho do grupo, mesmo num momento de baixa atividade

por qual passa a economia brasileira, a empresa não cogita demissões. De acordo com o dono

da empresa, todo o grupo conta com um quadro de 1.720 empregados diretos e 1.100

indiretos.

 A frota da empresa é composta de 480 veículos tratores, sendo 1.600 semi-reboques. Para

melhor aproveitamento das sinergias, o empresário cita o uso compartilhado dos

equipamentos entre as diversas aplicações, evitando ociosidade em um período de menor

atividade econômica.

Modelo ferroviário

Segundo o proprietário da Tora, a empresa não vai desperdiçar nenhuma oportunidade de

negócio Como operador rodo-ferroviário, Ribeiro da Silva afirma que a empresa tem interesse

na participação da concessão ferroviária, mas não no atual modelo proposto pelo governo.

“Para mim, o modelo em discussão parece uma forma de estatização dissimulada, onde o

governo exerce um papel muito centralizador, contrariando as leis de mercado ao tirar a livre

ação dos operadores”, afirma. O presidente do conselho da Tora diz não acreditar na atração

do capital na forma como o governou vem apresentando o projeto.

“Vai haver reformulação, até porque não acredito numa licitação neste segundo semestre em

razão das eleições presidenciais”, reforçou.  Ele lembrou que a Tora foi acionista da MRS no

processo de concessão da atual malha ferroviária a operadores privados, mas acabou

vendendo sua participação.

Seja qual for o ganhador das próximas eleições presidenciais, a Tora prevê um cenário difícil

par 2015 onde será preciso medidas “contorcionistas” para correções de rumo na economia.

Para Ribeiro da Silva, o próximo presidente, seja de qual partido for, terá de aproveitar o

“clima de confiança” que uma eleição proporciona para amenizar as dificuldades na busca de

medidas que voltem a estimular a atividade econômica.

Infraestrutura

Para o presidente do conselho do Grupo Tora, Minas Gerais foi o estado que mais foi

prejudicado com o processo de privatização, sofrendo um atraso de pelo menos dez anos nos

projetos que já poderiam ter sido repassados à iniciativa privada. “As estradas federais que

cortam Minas estão em um estado lastimável, afetando enormemente a produtividade e a

competitividade das empresas que vivem do transporte em nosso estado”, assegura. “Minas

tem seguramente a pior malha federal.”

Para ele, nem a privatização da rodovia BR-262 terá impacto no curto prazo. “Depois de

privatizadas, essas estradas levam um tempo para apresentar as melhorias necessárias”,

acredita. De acordo com o empreendedor, deveria haver um acordo para que o governo

central repassasse à competência estadual a administração das vias federais que cortam

Minas. “Pelo menos, a malha estadual mineira está em um estado muito melhor de

conservação”, disse.

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